Visão Geral
O vídeo detalha os EPIs destinados à proteção do tronco e dos membros superiores (braços e mãos), essenciais para atividades com exposição a riscos químicos, térmicos, mecânicos, elétricos, biológicos e de umidade. A seleção correta, baseada em uma Análise de Risco, é crucial para sua eficácia.
A. Proteção do Tronco (Vestimentas)
As vestimentas são EPIs que protegem o tronco contra diversos agentes. Devem possuir Certificado de Aprovação (CA) e atender a normas técnicas específicas.
1. Contra Agentes Térmicos
Aplicação: Soldagem, fundição, siderurgia, combate a incêndio.
Materiais: Aramida (ex.: Nomex), algodão com retardante de chamas.
Riscos sem EPI: Queimaduras graves, lesões por radiação térmica.
Norma: NBR 15292.
2. Contra Agentes Mecânicos
Aplicação: Manuseio de ferramentas, materiais cortantes, movimentação de carga.
Materiais: Couro, lona, jeans, políster de alta tenacidade.
Riscos sem EPI: Lacerações, escoriações, cortes, contusões.
Norma: NBR ISO 13688.
3. Contra Agentes Químicos
Aplicação: Indústria química, petroquímica, laboratórios.
Materiais: PVC, borracha nitrílica, Teflon, neoprene.
Riscos sem EPI: Queimaduras químicas, dermatites, intoxicação por absorção cutânea.
Norma: NBR 16602.
4. Contra Radiação Ionizante
Aplicação: Radiologia, medicina nuclear, indústrias nucleares.
Materiais: Chumbo ou equivalentes (tungstênio, bismuto).
Riscos sem EPI: Efeitos cancerígenos, esterilidade, queimaduras por radiação.
Norma: Diretrizes da CNEN e Anvisa.
5. Contra Umidade (Chuva)
Aplicação: Trabalhos externos (construção civil, manutenção de redes).
Materiais: PVC, poliéster impermeável.
Riscos sem EPI: Doenças respiratórias, hipotermia, desconforto.
6. Contra Umidade (Operações com Água)
Aplicação: Limpeza industrial, saneamento, lavanderias.
Materiais: PVC, borracha, poliuretano.
Riscos sem EPI: Dermatites, maceração da pele, contaminação.
7. Colete à Prova de Balas (Para Vigilantes)
Aplicação: Atividade de vigilância armada (segurança privada).
Materiais: Kevlar, polietileno de alta densidade.
Níveis: Classificação balística (ex.: Nível IIIA para .44 Magnum).
Requisito Legal: Obrigatório conforme Portaria 323/2012 da PF e NR6.
Riscos sem EPI: Lesões fatais por projéteis.
B. Proteção dos Membros Superiores (Mãos e Braços)
1. Luvas de Proteção
As mãos são extremamente vulneráveis. A escolha da luva deve ser específica para o risco.
Contra Abrasão: Couro, raspa, lona. Para manuseio de materiais ásperos.
Contra Cortes/Perfurações: Malha de aço inox, fibras (Kevlar, Dyneema). Para manuseio de vidro, chapas metálicas, frigoríficos. Norma EN 388.
Contra Choques Elétricos: Borracha isolante. Classes (00 a 04) definem a tensão máxima suportada. Devem ser usadas com luva de couro por cima e testadas periodicamente.
Contra Agentes Térmicos: Couro, aramida, materiais aluminizados. Para solda, fornos, câmaras frias.
Contra Agentes Biológicos: Látex, nitrila, vinil (descartáveis). Para hospitais, laboratórios. Norma EN 374.
Contra Agentes Químicos: Nitrila, neoprene, PVC, viton. A escolha do material deve ser compatível com o produto químico específico.
Contra Vibrações: Materiais com amortecimento. Para operação de marteletes, britadeiras. Norma ISO 10819.
Contra Umidade: Borracha, PVC. Para limpeza e atividades com água.
2. Creme Protetor
Função: Forma uma barreira química na pele quando o uso de luvas não é viável (ex.: necessidade de sensibilidade tátil).
Tipos: Hidrossolúvel (protege contra óleos, graxas) e Lipossolúvel (protege contra ácidos, detergentes).
Uso: Aplicar sobre a pele limpa e seca; reaplicar a cada ~4h ou após lavar as mãos.
3. Mangas de Proteção
Protegem braços e antebraços quando as luvas não são suficientes. Os tipos espelham os das luvas:
Contra choques elétricos, abrasão, cortes, agentes térmicos, agentes químicos e umidade.
Confeccionadas nos mesmos materiais das vestimentas e luvas correspondentes (couro, PVC, borracha isolante, Kevlar, etc.).
Responsabilidades e Boas Práticas
Empregador: Fornecer gratuitamente o EPI adequado ao risco, em perfeito estado, e treinar o trabalhador sobre seu uso correto, conservação e limpeza.
Trabalhador: Utilizar o EPI corretamente, zelar por sua conservação, comunicar avarias e substituí-lo quando danificado ou fora do prazo de validade.
Seleção: Deve constar no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e no PCMSO da empresa, com base na análise de risco.
Inspeção: Os EPIs reutilizáveis (luvas, mangas, vestimentas) devem ser inspecionados regularmente quanto a sinais de desgaste, rasgos, trincas ou ressecamento.
Compatibilidade: Muitas vezes, é necessário usar múltiplos EPIs em conjunto (ex.: luva de borracha + luva de couro; vestimenta química + luva + bota).
Conclusão
O uso correto dos EPIs para tronco e membros superiores é fundamental para prevenir uma vasta gama de acidentes e doenças ocupacionais graves. A proteção eficaz depende da escolha certa para cada risco, do treinamento adequado e da manutenção constante dos equipamentos.